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A relação do fotógrafo e designer Marcello Cavalcanti com a imagem vem do berço. Quando criança ja era fascinado por ilustrações, sempre foi o “desenhista” da turma, criava personagens, rabiscava onde podia. Já na adolescência, sabia que trabalharia com criação, só não entendia como. Ganhou uma camera point-and-shoot do pai, e com ela começou a se interessar bastante por fotografia. Nessa época, como experimentação, fez algumas montagens fotográficas, sobrepondo fotos impressas em seu mural de cortiça. Foto digital ainda era algo do futuro, inimaginável. 

Em meados de 2000, cursando a faculdade de design gráfico na PUC, Marcello se deparou com a matéria obrigatória de fotografia, e um dilema: comprar ou não uma camera fotográfica reflex? Conversou com o pai, que mais uma vez deu o empurrão necessário e presenteou o jovem aspirante a designer com um modelo básico de entrada da Canon, ainda de rolo de filmes. 
Pronto, foi amor ao primeiro clique.

A fotografia passou a ser um elemento básico para seu processo criativo nos projetos de design gráfico que desenvolvia na faculdade e futuramente na vida profissional. O recorte proporcionado pelo visor da câmera e capacidade de edição de um ensaio eram, para ele, fundamentais para permear decisões no mundo do design. 

O ainda estudante seguiu fotografando o máximo que podia, principalmente paisagens e esportes. Durante 6 invernos viajou sistematicamente para a região de Lake Tahoe, na California, EUA, onde desenvolvia matérias de ski e snowboard para seu site de esportes radicais, o Triboaventura.com. Cobriu dezenas de campeonatos de surf, skate, escalada, wakeboard, asa delta, entre outros, chegando em 2005 a líder da equipe de fotografia oficial do Campeonato Mundial de Skate Downhill, realizado no Rio de Janeiro. 

Paralelamente se formava em design gráfico e iniciava a vida profissional, estagiando e trabalhando em escritórios de design. 

Barcelona

A relação com a fotografia se solidificou em 2008. 

Neste ano, o designer –  no auge de sua atuação profissional – decidiu passar uma temporada de 1 ano em Barcelona, na Espanha, para conhecer o mercado de design gráfico europeu. Na capital catalã, Marcello passou 8 meses trabalhando em uma agência de publicidade – Wunderman WPP – onde se consolidou como o principal desenvolvedor web da agência. 

A fotografia? Seguia a todo vapor, paralelamente ao trabalho. Meio por acaso, realizou sua primeiríssima exposição fotográfica, dentro do evento “Brasil no Ar”, (Exposição por toda a cidade, que apresentava ensaios fotográficos e filmes independentes de brasileiros) com fotos de skate tiradas na Vista Chinesa. Esta pequena exposição abriu os olhos do designer para a possibilidade de focar em sua produção fotográfica de forma mais objetiva. 

Fotofragmentos

A vida extremamente urbana em  Barcelona afastou um pouco Marcello dos esportes radicais e trilhas pelas florestas, mas o aproximou bastante da fotografia de ruas, vielas, arquitetônica, de cotidiano. 

Foi aí que surgiram os Fotofragmentos. 

O designer cruzava a cidade todos os dias de skate ou bicicleta, sempre com a câmera em punho, registrando tudo que podia da icônica cidade. Ainda sem saber o que estava criando, Marcello um dia decidiu fotografar a rua onde morava (Paseo del Born) com centenas de cliques, em toda a sua extensão, calçada, árvores e prédios.
Ao baixar as fotos no computador e experimentar montá-las, percebeu que poderia criar um incrível quebra-cabeça. A partir daí, por algumas semanas ele retornava à rua, fotografava mais alguns pedaços do cenário, baixava no computador, montava mais uma parte do quebra-cabeça, e assim sucessivamente, até completar a sua primeira montagem.

Marcello criou ainda outras 2 montagens em diferentes pontos de Barcelona, até que ao completar 1 ano por lá, decidiu voltar ao Brasil, por conta da crise mundial que assolava a Europa. 

De volta ao Rio, com a cabeça fervilhando em cima das montagens, decidiu levar aquele projeto adiante, fotografando onde podia na Cidade Maravilhosa, principalmente cenários naturais, como praias, montanhas e florestas. Paralelamente, montou seu estúdio de design gráfico, o Estúdio Pinzon 17, com dois sócios, André Carreira e Marco Alonso. 

Logo percebeu que precisava gastar sua criatividade em um cenário totalmente urbano e moderno, oposto ao do Rio. Juntou algumas economias e foi para Nova York, onde passou 20 dias fotografando por toda Manhattan e arredores. Em dois anos, Marcello construiu um portfólio com cerca de 15 imagens do Rio, e outras 10 de Nova York. Era hora de mostrar para alguém. 

Cada montagem levava entre 300 e 500 fotos, dependendo do cenário. O trabalho de montar o quebra-cabeça no computador era insano, horas e horas testando combinações de imagens, para se chegar ao resultado desejado.
Marcello mostrou as montagens (já batizadas por ele de Fotofragmentos) para uma amiga, que o apresentou para uma das mais importantes lojas de quadros e molduras do Rio, a Vilaseca. Os donos da empresa se apaixonaram de cara pelo trabalho, e começaram a investir naquelas imagens inusitadas, que, na vitrine da loja, confundiam muita gente. “O que é isso? Um efeito gráfico? É uma foto recortada e re-montada? É pintura? Tem luz por trás?” foram – e são até hoje – algumas das perguntas recorrentes ao seu trabalho.
Ao mesmo tempo, Marcello montou um site para começar a comercializar seus Fotofragmentos online, e planejou outras viagens à Europa, agora para fotografar França e Itália.

Na sequência, vieram exposições, individuais e coletivas; exibições de suas artes em eventos de arquitetura como CasaCor, Morar Mais, Mostra Artefacto, Decora Líder, entre outras; expansão da rede de revendedoresmatérias em sites , revistas e jornais; e convites para realizar montagens específicas, como o Rock in Rio.

Em 2014, Marcello criou outra empresa, a Gávea Imagens, com a irmã e sócia Nina Favagrossa, para coordernar a venda dos Fotofragmentos e também de seu extenso portfólio de imagens feitas nos últimos 10 anos.